Evandir Bueno Barasuol


Evandir Bueno Barasuol

 - Psicóloga formada pela Universidade do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul-UNIJUI/RS.Mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Maria-UFSM/RS
 - Especialista em Sociopsicodrama pelo Instituto de Desenvolvimento Humano-IDH e Faculdade Meridional- IMED, com trabalho de pesquisa voltado para a área do luto- Psicoterapia com abordagem psicodramática no atendimento a mães que perderam filhos. 
 - Aprimoramento em Avaliação Psicológica.
 - Docente na Faculdade de Psicologia e professora convidada em cursos de Pós-Graduação da Sociedade Educacional Três de Maio-SETREM/RS.
 - Autora do livro Burnout Docente: sofrimento na inclusão (2005).
 - Psicóloga da Consultoria BarasuolLtda. 
 - Atendimento Clínico em Consultório Particular com ênfase na Clínica do Luto. 



Luto e o Espaço Psicoterapêutico

Descrever sobre o luto implica necessariamente trazer à tona situações de perda. É bastante comum associar o luto à morte. Embora se saiba que o luto é um processo que ocorre ou deveria ocorrer em qualquer situação de perda. Por ex: perda do emprego, da saúde, separações, etc.  

Em épocas remotas se pensava o luto como um desligamento ou afastamento da pessoa que morreu. Hoje, já se vê o luto como uma possibilidade de busca de significados, de sentido. Os estudos iniciais sobre o luto o associavam a uma doença, daí a palavra luto patológico. O caminho para a elaboração do luto desvela um movimento singular de cada indivíduo, de cada família no que se refere à forma de lidar com tal situação, levando, por vezes, ao chamado luto complicado, com o surgimento de doenças tanto físico como mentais. 

Poder-se-ia pensar o luto como um trabalho, um árduo trabalho que requer um esforço gigantesco/imenso da pessoa enlutada. Compreender o que aconteceu é condição necessária para que a pessoa enlutada consiga elaborar a perda. Há a necessidade de atribuir um sentido para essa perda. Ocorre aí um intenso trabalho não só de ordem emocional, mas cognitiva, comportamental e social. É um momento de transformação, de revisão de valores, de reconstrução de caminhos e de papeis sociais.  

Refletir e permitir-se falar acerca de fenômenos como a morte, o morrer e as situações de perdas, possibilita uma melhor compreensão dos sentimentos, das percepções que envolvem as vivencias do luto e, pode ser uma maneira de lidar melhor com esses eventos, compreender essa realidade que, quer queiramos ou não, fazem parte do ciclo vital.   

 Esse sentimento de viver o luto provavelmente leve a uma mudança de comportamento que possivelmente todos, em algum momento de suas vidas, irão se deparar. Luto e perda, uma díade que faz emergir sentimentos dolorosos, de abandono, desamparo, medo, vazio e, por vezes, culpa. São sentimentos inerentes ao processo de luto. 

O processo do luto é um fenômeno complexo e é vivenciado de forma diferente por cada pessoa. O tempo de vivência do luto também varia de um indivíduo para outro. Perder, em qualquer situação, gera desconforto e, na maior parte das vezes, sofrimento.  

Frente a esse aspecto urge a necessidade de um espaço de acolhida, de escuta do sofrimento das pessoas enlutadas. Percebe-se, também, a importância de uma escuta singularizada, que utilize métodos adequados e apropriados para esse momento em que ocorre o processo do luto. 

Partindo-se do pressuposto de que a morte é inerente à vida e o sofrimento também faz parte desse processo, considera-se de extrema importância a busca de alternativas para amenizar os possíveis sofrimentos advindos da dor da perda. Daí a importância de se poder pensar sobre a morte, de conseguir falar de experiências vividas, de trazer as vivências de perda em um espaço apropriado. Refiro-me, aqui, ao espaço terapêutico. 

Evandir Bueno Barasuol
Psicóloga CRP 07/08018