Momento é de alerta e monitoramento da cigarrinha-do-milho, adverte profissional da Unitec

    As lavouras de milho da região se encontram nas fases de emergência e quarta folha expandida e a expectativa de produção é muito boa nesta safra, de acordo com o técnico em agropecuária e engenheiro de produção Fábio Luis Dalla Vechia. Associado da Unitec, ele realiza o acompanhamento de lavouras de milho nos municípios de Três de Maio e Tucunduva e também aposta no cultivo deste cereal como produtor.

    “As lavouras foram implantadas com alta tecnologia e investimento e, assim, serão conduzidas durante todo seu ciclo em relação aos demais tratos culturais a serem realizados”, explica.

    Contudo, tem se constatado a presença da cigarrinha-do-milho nas lavouras, praga que provoca danos nas plantas e, consequentemente, perdas significativas de produção.

    O profissional revela que este é o primeiro ano com a presença da cigarrinha-do-milho nas lavouras da região. Por isso, não há como mensurar previamente qual será o potencial de dano causado por ela, mesmo com a adoção de um bom Manejo Integrado de Pragas.

    “O ataque da cigarrinha nas lavouras de milho está acontecendo em áreas de toda a região Noroeste, conforme dados de monitoramento que estão sendo realizados em vários municípios da região por equipes técnicas de empresas ligadas ao agronegócio”, acrescenta Dalla Vechia.

    Praga afeta desenvolvimento do cultivo do milho, podendo provocar a morte prematura das plantas infectadas
    O profissional explica que a cigarrinha é uma praga, transmissora de viroses, que se alimenta da seiva da planta. Desta forma, acaba afetando o desenvolvimento do cultivo, influenciando no tamanho das plantas, na redução de espigas, nos grãos, no sistema radicular, podendo, inclusive, provocar o secamento e a morte prematura das plantas infectadas. 

    “Observa-se que a cigarrinha realiza sua oviposição, ou seja, deposita seus ovos na epiderme das folhas, junto à nervura central de folhas do cartucho. Ela é o único inseto-vetor responsável pela disseminação dos molicutes, microrganismos patogênicos que sobrevivem apenas na cultura do milho e que provocam o chamado enfezamento do milho. A infecção com molicutes ocorre, frequentemente, nos estágios inicias da cultura. Porém, os sintomas de enfezamento se apresentam no período de enchimento de grãos”, esclarece Dalla Vechia.

    O grande problema desta praga, de acordo com o profissional, é que uma vez que a cigarrinha adquire os molicutes, acaba se tornando transmissora por toda a vida. “Aliado a isto está a capacidade de migração do inseto. A praga migra das lavouras mais velhas para as mais novas, infectando cada vez mais áreas. E a presença de plantas tigueras favorecem a permanência da praga nas lavouras, bem como as temperaturas elevadas e o inverno ameno.”

    Os períodos de maiores danos do ataque da cigarrinha estão entre os estágios V1 (primeira folha) a V6 (sexta folha), pois é neste momento ocorre a infecção e os sintomas só serão visíveis na fase reprodutiva da cultura. “Existem algumas formas de se controlar as pragas e doenças nas lavouras de milho. O uso de cultivares mais resistentes é um dos métodos mais recomendados e adotados pelos produtores. Mas ainda há poucas informações sobre este aspecto nas cultivares disponíveis no momento”, ressalta.

    O controle mais comumente utilizado neste período da cultura é o controle biológico e químico. “O momento é de alerta e monitoramento. Não de pavor, mas atenção, pois esta não é a primeira praga nova a chegar em nossos cultivos e com certeza não será a última. Pelo que se acompanhou em algumas áreas de milho safrinha deste ano, com certeza é uma praga que pode acarretar em grandes perdas na produção de grãos, bem como na produção de matéria verde destinada para silagem”, finaliza Dalla Vechia.

    Fonte: Assessoria de comunicação Unitec | Jaqueline Peripolli / Jornalista MTE 16.999