Alto custo de implantação e risco de perda por intempéries são entraves para aumento da área com canola

    O cultivo da canola, que é uma cultura de inverno, vem crescendo aos poucos. É a terceira oleaginosa mais produzida mundialmente, fornecendo óleo de excelente qualidade, o que favorece sua aceitação no mercado, além de gerar resíduos como o farelo, utilizado na alimentação animal.

    Nas últimas semanas, foi possível contemplar na região lavouras de canola floridas, com coloração que se assemelhava ao ouro, enfeitando o cultivo do inverno. Mas, embora atrativa e exuberante, a cultura da canola ainda é pouco expressiva aqui. Os motivos, segundo o técnico em agropecuária Marcelo Augusto da Silva, associado da Unitec, são o custo de implantação elevado e os riscos de quebra de produção por geadas nas fases críticas da cultura.

    “Contudo, se não ocorrerem intempéries e a lavoura for bem conduzida, pode-se ter rentabilidade superior a cultura do trigo, que também é considerada uma cultura arriscada”, explica.

    O técnico presta assistência para produtores rurais que cultivam canola nos municípios de Alegria, Inhacorá e Chiapetta, e afirma que, na região, atualmente, a cultura encontra-se nas fases de floração e enchimento de grãos.

    “A canola é uma cultura atrativa, pois o valor da saca se assemelha ao valor da saca de soja, que está acima de R$ 150. Outro fator importante é a inclusão de uma cultura de sistema radicular diferenciado, em que o manejo é realizado com o uso de defensivos com princípio ativos diferentes dos utilizados nas culturas da aveia e do trigo, ajudando a diminuir problemas com resistência de ervas daninhas e melhorando a qualidade do solo”, acrescenta.

    No Estado, conforme dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), houve aumento na área de canola. Cultivada em 40,1 mil hectares, 15,73% a mais do que no ano anterior, deverá ter uma produção de 52,6 mil toneladas, o que representa 55,7% a mais do que na safra passada, refletindo no aumento de 34,5% na produtividade, que deve chegar a 1,3 tonelada/ hectare, contra menos de uma tonelada na safra passada.

    A colheita da cultura deve iniciar a partir da segunda quinzena de setembro, com produções muitos variadas de acordo com o impacto de geadas em cada lavoura, estimando-se de 25 a 30 sacas por hectare.

    Silva, que passou a fazer parte da cooperativa de trabalho neste ano, trabalha com elaboração de projetos agropecuários e também é agricultor, produzindo e comercializando grãos (soja, milho, trigo e aveia).

    Fonte: Assessoria de comunicação Unitec | Jaqueline Peripolli / Jornalista MTE 16.999