Marcelino Colla: a trajetória do líder cooperativista

    Estamos inseridos em uma região próspera e unida, que tem no cooperativismo um sistema com raízes bem firmadas. Este sistema, que acima de tudo é uma filosofia de vida que busca transformar o mundo em um lugar mais justo, mais feliz e equilibrado, com melhores oportunidades para todos, também formou e por aqui desenvolveu lideranças cooperativistas.

    Por isso, ao falar do cooperativismo gaúcho, é preciso citar e enaltecer o trabalho de Marcelino Colla. Entusiasta do cooperativismo, o engenheiro agrônomo é, sem dúvidas, uma referência quando o assunto é o modelo de negócios que possibilita unir desenvolvimento econômico e desenvolvimento social, produtividade e sustentabilidade, individual e coletivo.

    O apreço pelo cooperativismo vem de berço
    Paranaense, natural de Chopinzinho, Colla teve sua trajetória no cooperativismo iniciada ainda em família, sendo fruto de uma história, como ele mesmo diz. 

    “Nasci em uma família muito unida e que mantém, até hoje, laços com o cooperativismo. Costumo dizer que o melhor exemplo de associativismo que tenho é o casamento dos meus pais, Graciema Dalacosta Colla e Alberto Colla, juntos há 67 anos. O casamento é uma das primeiras associações que buscamos na vida, não é mesmo?!”, questiona.

    Os cinco irmãos dele seguem trabalhando juntos em uma propriedade rural, também no Paraná. Mesmo sendo raro atualmente, eles concentram quatro gerações atuando ‘no mesmo pátio’, segundo Colla, trabalhando de forma coletiva, sempre operando com cooperativas.

    “Meu pai é sócio-fundador de uma cooperativa onde reside, a Coasul Cooperativa Agroindustrial, e um de meus irmãos, o Jair, é dirigente da Cooperativa de Eletrificação Rural de Chopinzinho (Cercho) e também conselheiro da Sicredi Iguaçu. Gosto de enaltecer que o cooperativismo agropecuário do Paraná é um exemplo. E para os cooperados de lá, já é um processo natural fazer parte da cooperativa e efetivar negócios com a organização, como entregar o produto e comprar insumos, por exemplo. A cooperativa acaba se tornando uma segunda casa aos associados. Então, sem dúvidas, este espírito impactou e influenciou em minha trajetória de vida e, como consequência, profissional”, acrescenta.

    Carreira profissional do jovem agrônomo inicia em cooperativa
    Colla cursou Agronomia em Passo Fundo. O estágio da graduação já ocorreu na cooperativa Coasul, no Paraná, dando indícios de que um futuro na área estava se desenhando. Depois de formado, atuando como funcionário público, relembra que trabalhou fortemente a questão associativa, constituindo várias associações de produtores na época. Anos depois, veio para o Noroeste gaúcho para abraçar uma oportunidade de trabalho na Cotrimaio.

    E em 1996, surgia a possibilidade de criar, junto com um grupo de mais 27 profissionais, uma cooperativa de trabalho. “Era chegado o momento de montarmos a nossa cooperativa, algo totalmente inédito há quase 25 anos. Foi uma chance de vivenciarmos e criarmos tudo o que preconizávamos de forma coletiva. Começava, então, uma nova fase em minha vida e na vida nos demais colegas fundadores. Junto com a Cooperativa de Trabalho dos Técnicos do Noroeste do Rio Grande do Sul (Unitec), o grupo dava início a uma nova forma de trabalhar: deixamos de ser empregados para sermos profissionais autônomos, atuando de forma coletiva.”

    Resgatando as lembranças da época, Colla afirma que poderiam ter experimentado outras formas de trabalho, mas o grupo estava tão coeso e unido que não conseguia perceber o futuro de forma individual. “Está aí o resultado. Prestes a completar 25 anos de atuação, a Unitec é mais um dos exemplos de uma cooperativa que deu certo. Muitas das pessoas que fundaram a Unitec permanecem conosco, contribuindo e fortalecendo a cooperativa. Passamos por muitos desafios, e quando pensamos em desanimar, o espírito coletivo traz aquela sensação de sermos mais fortes. E isso é determinante, pois o grupo encontra soluções, o que o torna cada vez mais fortalecido.”

    A partir da Unitec, envolvimento com cooperativas e associações só cresceu
    Há 24 anos, Colla, começou a ministrar cursos sobre cooperativismo pelo Senar-RS, Sebrae RS e Sescoop/RS, e ingressou na área acadêmica, como professor de Agronomia e do Curso Técnico em Agropecuária da Setrem. Concomitantemente a isso, auxiliou a formar muitas cooperativas de agricultores familiares.

    Presidente da Unitec, conselheiro da Sicredi Noroeste RS e integrante do Rotary Club local, do qual já foi presidente, Colla também é vice-presidente da Fundação de Capacitação e Desenvolvimento (Funcap), já tendo presidido a entidade. Também foi presidente da Expofeira 2019 e conselheiro da Cotrimaio.

    Ele explica que, paralelo a vida profissional, a vida social também não deixa de ter envolvimento com outras associações, pois integra outras diversas   entidades associativas. “Só posso falar e ensinar aquilo que eu vivo. Eu não posso pregar e transmitir aquilo que, de fato, eu não exerço. Por isso, acredito que isso vale para todas as atividades.”

    Também atuando como professor de cooperativismo no Curso Técnico em Agronegócio da Rede e-Tec Brasil do Senar-RS nos polos de Cruz Alta e São Sepé, Marcelino destaca que consegue associar as necessidades acadêmicas com o mundo na prática. “Me parece estranho ensinar sem ter experiência. Vivenciar o cooperativismo dá a base e o respaldo necessários para poder discutir e entender do assunto, pois é comum ouvir críticas sobre o sistema cooperativo, que dizem que não dá certo. Fico frustrado e decepcionado quando vejo cooperativas que não prosperaram. Mas é preciso analisar que a cooperativa pode não ter dado certo, mas o cooperativismo dá certo. Está mais que provado que este sistema funciona. O movimento só cresce, seja no Estado, no Brasil e no mundo. Alguns segmentos crescem mais e mais rapidamente, mas temos espaço e várias boas experiências para nos espelharmos.”

    Colla é mestre em Desenvolvimento, especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e Negócios, especialista em Gestão de Cooperativas, especialista em Administração Financeira e especialista em Qualidade Total e Agricultura Empresarial.

    Cooperativismo e desenvolvimento estão interligados, destaca Colla
    “No mundo, uma a cada sete pessoas está inserida neste sistema. Isto prova que o cooperativismo é um movimento muito forte e que está presente onde existe desenvolvimento. Onde existe cooperação, existe desenvolvimento, sem dúvidas”, defende.

    Conforme dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), no mundo, o cooperativismo está presente em cem países, com 2,6 milhões de cooperativas. Congrega um bilhão de pessoas e gera 250 milhões de empregos. Na área do agronegócio, por exemplo, no ranking das cem maiores empresas do Brasil, Colla revela que a lista de cooperativas está muito forte, sendo que quase metade deste número é de cooperativas.

    Ele traça um paralelo entre os diferentes sistemas econômicos e defende o associativismo como uma via de desenvolvimento. “No cooperativismo, temos o grande desafio de unir desenvolvimento econômico e bem-estar social. Por isso, me identifico neste sentido.”

    Colla acrescenta que, embora sem percebermos, estamos ligados e inseridos em cooperativas e associações, ou seja, nos envolvemos na coletividade. “Aqui em Três de Maio, por exemplo, a maioria das pessoas está ligada a alguma associação. Podemos nem perceber, mas, no dia a dia, nos conectamos com a cooperação. Não vivemos sem o coletivo. E o melhor disso é que nossa adesão é livre e voluntária, e este é um dos princípios do cooperativismo.”

    Educação cooperativa para fortalecer o movimento
    Embora acredite que também se trate de uma característica de perfil de cada indivíduo, a cooperação ainda esbarra na cultura do benefício. “Como tudo na vida, temos os ônus e os bônus. Este é um dos maiores dilemas que vivemos no cooperativismo. Mas precisamos compreender que este é o binômio de ser dono e usuário do mesmo negócio. Eu sou sócio de uma cooperativa, dono e usuário. Como dono, quero os melhores resultados, e como usuário, os maiores benefícios.”

    O cooperativista afirma que, pertencendo a uma cooperativa, o interesse particular não pode se sobrepor ao coletivo. Por isso, a educação cooperativa tem o papel de trabalhar a educação deste cooperado. “Aliado a isso, a gestão de uma cooperativa, com alinhamento das equipes, é determinante. Além do mais, quando passo a fazer parte de uma organização cooperativa, preciso avaliar o que tenho feito para contribuir, participando das decisões”, complementa.

    “Por tudo isso que eu vivo dentro do cooperativismo, reafirmo que estamos no movimento certo. Não é só paixão e emoção: adiciono a razão, e então tenho a convicção de que não abandonarei o espírito cooperativista; ele já faz parte de mim. Abraçaram esta causa junto comigo a minha esposa, Janice, e meus filhos Marcelino Júnior e Matheus, que hoje também são associados da Unitec. Seguimos cooperando, pois juntos vamos mais longe e somos mais fortes”, finaliza Colla.

    Fonte: Assessoria de comunicação Unitec | Jaqueline Peripolli / Jornalista MTE 16.999