PediaSuit: protocolo que amplia as possibilidades de tratamento

    Depois de uma verdadeira batalha na Justiça, a pequena Natália Welter de Andrade, de oito anos, iniciou o tratamento com o PediaSuit. “Foram cinco anos lutando até que conseguíssemos. Por ser um tratamento de alto custo, não tínhamos condições financeiras de arcar. Mas sabíamos do quanto ele seria importante para a melhora da minha filha”, conta a mãe, Jéssica Welter.

    Nos meses de maio e junho, Natália esteve na Apae de Três de Maio, acompanhada da mãe, para iniciar o protocolo de tratamento intensivo PediaSuit fornecido pela instituição. Durante quatro semanas, foi realizado o primeiro protocolo do tratamento dela.

    Natália foi atendida pelos fisioterapeutas da instituição, Beatriz Chrischon e Jefferson Kettner, e pela terapeuta ocupacional Marília Compassi Freitas. Contou, também, com o suporte dos demais profissionais da equipe de saúde da instituição. A fisioterapeuta Beatriz explica que, com o protocolo de atividades, objetiva-se a habilitação neuropsicomotora da paciente, bem como o desenvolvimento de funções de forma ativa, com posterior ampliação de seu quadro motor como base para atividades mais complexas, tanto musculares, articulares e integrativas.

    “Buscamos o desenvolvimento do equilíbrio da Natália, coordenação motora, força e tônus musculares, além da qualidade dos movimentos e posturas”, comenta. Ela acrescenta que Natália fará, no total, quatro protocolos, sendo um a cada seis meses, aproximadamente.

    Jéssica comemora as visíveis e significativas evoluções da filha na primeira etapa do tratamento. “A cada dia notamos o progresso dela. Sentimos ela mais firme, mais ativa.”

    A família reside em Boa Vista do Buricá. Jéssica conta que, quando a filha tinha oito meses, recebeu o diagnóstico de paralisia cerebral. Desde então, ela recebe acompanhamento de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. Até antes da pandemia, Natália frequentava a escola comum com monitor, todas as tardes, e a Apae de Boa Vista do Buricá duas vezes na semana.

    Tecnologia que reabilita
    O PediaSuit é o tipo mais moderno de macacão terapêutico ortopédico disponível atualmente. Criado em 2006 por Leonardo de Oliveira, co-fundador da Therapies4kids, consiste em uma tecnologia como possibilidade de reabilitação, independência, autonomia, qualidade de vida e inclusão social, conforme consta no site da PediaSuit Brasil.

    O PediaSuit é uma ferramenta que amplia as possibilidades de tratamento. Caracterizado como um protocolo de tratamento intensivo, tem como objetivo principal a recuperação cinética funcional em decorrência dos distúrbios que afetam o movimento, a dinâmica circulatória e a integridade músculo-esquelética. Todo o procedimento tem como base um programa de exercícios específicos e intensivos, estimulando o crescimento e o desenvolvimento de cada criança.

    O conceito básico do PediaSuit é o de criar uma unidade de suporte para alinhar o corpo o mais próximo do funcional possível, restabelecendo o correto alinhamento postural e a descarga de peso que são fundamentais na modulação do tônus muscular da função sensorial e vestibular.  As bandas elásticas são ajustáveis, o que significa que se pode aplicar axialmente no corpo uma descarga de 15 a 40 kg. 

    Mais sobre o PediaSuit
    O PediaSuit utiliza diversas ferramentas. Uma delas é a propriocepção dinâmica, por meio de uma órtese mole, chamada Suit. Esta roupa, criada nos anos 70 por cientistas russos para uso dos astronautas, inspirou o método, pois eles chegavam do espaço com dificuldades motoras, perda de movimentos, massa muscular e estrutura óssea debilitada.

    O Suit consiste em colete, touca, shorts, joelheiras, calçados e um sistema de elásticos ajustáveis, posicionados para reproduzir a musculatura, funcionando como uma estrutura elástica externa, promovendo uma melhora da postura e consequentemente melhora dos movimentos, alinhando o corpo o mais próximo do normal, desempenhando um papel crucial na normalização do tônus muscular, do sistema vestibular e de funções sensoriais.

    Já o Spider (gaiola) é usado para treinar a criança, aumentando a capacidade de isolar os movimentos desejados e fortalecer os grupos musculares responsáveis por esse movimento. A gaiola permite ganho de amplitude de movimento, ganho de força muscular e flexibilidade das articulações, bem como melhora das competências funcionais. 

    Fonte: Assessoria de Comunicação Apae Três de Maio | Jaqueline Peripolli / Jornalista MTE 16.999