Aulas à distância na educação especial: nova realidade que permite diferentes formas de aprendizagem

A Escola de Educação Especial Helen Keller e o Centro de Atendimento Educacional Especializado Helen Keller, mantidos pela Apae de Três de Maio, têm realizado suas aulas à distância, em função da pandemia de coronavírus, desde o dia 4 de maio. 

A efetivação de atividades pedagógicas domiciliares não presenciais na educação especial foi autorizada pelo Ministério da Educação e Conselho Nacional de Educação, juntamente com as federações das Apaes de todo o Brasil. 

De acordo com a diretora pedagógica, Simone Rossi Tiecher, são sabidas as dificuldades e desafios para este modelo de ensino, mas está sendo feito o possível para dar sequência às atividades escolares. “É uma experiência valiosa de fazer educação fora da sala de aula, com o auxílio dos pais ou responsáveis pelos alunos no ambiente familiar.” 

As aulas, via aplicativo de mensagens de celular (WhatsApp), ocorrem de segunda à sexta-feira, no turno que cada aluno vinha até a escola. Os professores, de suas casas, enviam as atividades, por meio de vídeos e áudios. “As famílias precisam fotografar ou filmar e enviar as tarefas, a fim de que elas sejam avaliadas e validadas”, explica a diretora pedagógica da Apae de Três de Maio. As famílias que não dispõem do aplicativo são contatadas e retiram as tarefas impressas na escola nas segundas, quartas e sextas-feiras, no turno da aula do filho. 

Simone destaca que a educação à distância é algo novo para as Apaes, mas a equipe está disposta a aprender a fazer a educação especial de uma forma diferente, contando com a colaboração das famílias dos alunos. “São 40 turmas de alunos. Estamos atingindo, pelo WhatsApp, em torno de 120 alunos; o restante é via material impresso. Nestas primeiras semanas, podemos dizer que está sendo muito produtivo e fomos surpreendidos de forma positiva. Famílias, professores e alunos estão se superando a cada dia neste novo modelo de ensino”, revela.

 

Desafios, aprendizagens e superação: aulas à distância têm permitido novas vivências e experiências entre professores, alunos e famílias

As aulas à distância, por meio de um aplicativo de celular, não são novidade apenas para os alunos da educação especial. Os educadores também precisaram inovar e se adequar à nova realidade para darem andamento ao calendário escolar. Com criatividade e dinamismo, a equipe pedagógica está encontrando novas formas de ensinar e envolver alunos e famílias no processo ensino-aprendizagem. 

A professora Marciane dos Santos, que atua em duas turmas de Atendimento Educacional Especializado (AEE), atende sete alunos no turno da manhã e nove no turno da tarde, todos via WhatsApp. Ela conta que, inicialmente, ficou um pouco apreensiva com a ideia das aulas à distância. “Mas, aos poucos, fui idealizando as aulas e adaptando-as conforme a realidade. E estou impressionada com a dedicação e o apoio que as famílias estão proporcionando. Na medida que estamos trabalhando, as famílias estão fazendo devolutivas das atividades propostas, com registros de vídeos e fotos, pois este trabalho se limita a vídeos, áudios e fotos. Para o Dia das Mães, por exemplo, gravei um vídeo, e ficaram muito legais os vídeos e fotos feitos e enviados pelas famílias.”

A professora conta que, para o primeiro vídeo que gravou, ficou emocionada, relembrando dos alunos e da escola. E, muito mais, quando os pais começaram a enviar os registros dos trabalhos. “Procuro fazer atividades diversas e que as famílias consigam ajudar os alunos a realizá-las. Os meus alunos são de Educação Infantil e Séries Iniciais. Então as atividades são de recorte, colagem, reconhecimento do nome, letras, número e cores, ou seja, que proporcionam o desenvolvimento da coordenação motora, motricidade, memória e raciocínio lógico. E como eles estão incluídos em escola comum, sei que eles ainda têm atividades da outra escola.” 

Já a professora Cláudia Nakamura Bonfim atende duas turmas de Ensino Fundamental na modalidade de Educação de Jovens e Adultos: Eja I etapa IV e Eja 5 etapa I, com sete alunos em cada turma. “Confesso que está sendo um grande desafio diário gravar os vídeos e fazer algo legal para os alunos. No início eu tive um pouco de medo, e até vergonha. Coisas novas sempre são um grande desafio, e desafios são bons. É preciso gravar uma, duas, três vezes até dar certo. Procuro produzir aulas diferentes, com contação de histórias, sempre envolvendo atividades com músicas, jogos, recorte e colagem. Quando vou contar uma história, tento fazer um ambiente legal e diferente, que seja prazeroso para os alunos”, diz.

 

Famílias mudam rotinas e aprendem junto com os filhos

Para Liziane Idalgo, mãe do aluno Lorenzo Idalgo Fiut, este período de isolamento social está sendo muito preocupante. “As crianças têm alterações no humor e apetite, estão ansiosos e irritados. Para contornar essa situação, estamos fazendo brincadeiras no pátio, assistindo muito filmes juntos, tentando manter uma rotina de estudos. E para isso precisa muito jogo de cintura, até porque as crianças não entendem o que está acontecendo.” 

Lorenzo é aluno da professora Fátima Almeida e está no Ensino Fundamental ciclo III. Segundo Liziane, o filho gostou de receber as atividades via WhatsApp. “Ele assiste várias vezes os vídeos, tem saudades da professora, dos colegas e do ambiente escolar. É um desafio para manter o foco e concentração nos estudos domiciliares, e muita paciência e conversa para que ele faça as atividades propostas, pois em casa acaba se distraindo muito rápido.” 

Ela diz que é uma situação muito diferente e que está aprendendo muito com os filhos, pesquisando e aprendendo com eles, procurando ajudá-los da melhor maneira possível. 

Janete Dala Vechia, mãe do aluno Eduardo Dala Vechia de Andrade, conta que estão realizando as tarefas da escola na medida do possível. “Às vezes ele demora um pouco, mas não deixamos de realizar nenhuma atividade proposta pela professora. Posso dizer que está sendo bem tranquilo.” 

Eduardo estuda na turma do Ensino Fundamental ciclo I, com a professora Daniele Regina Decker. Segundo a mãe Janete, alguns exercícios o filho não aceita fazer. Então, ela realiza da maneira que ele gosta e envia à professora. “Ele está gostando, mas sente saudade dos professores e colegas. O Eduardo ainda não entendeu que não pode sair de casa, pois tinha uma vida bem regrada, com horários e rotinas, e agora só em casa, então às vezes se estressa. As atividades escolares estão ajudando bastante ele a interagir. Eu mostro os vídeos dos outros colegas e professores, e ele adora!  Ele tem exercícios de educação física, os trabalhinhos de pintura, leitura, desenho, assistir vídeos, e as aulas de música. Então, ele ama, e como adora música, as aulas são bem interessantes para ele”, finaliza. 

Fonte: Assessoria de Comunicação Apae Três de Maio | Jaqueline Peripolli / Jornalista MTE 16.999