Colheita da soja na reta final

Condições climáticas estão favoráveis para finalizar a safra. Produtividade média tem ficado em 55 sacas por hectare

 

O tempo seco das últimas semanas permitiu que o ritmo de colheita da soja se intensificasse em toda a região. Em Três de Maio, em torno de 88% da área total está colhida.

A produtividade está dentro das previsões iniciais, de acordo com o chefe do escritório municipal da Emater/RS-Ascar local. Leonardo Rustick. “Temos uma boa safra, com rendimento médio de 50 a 55 sacas por hectare – que era a estimativa inicial. Contudo, há lavouras que colheram acima de 70 sacas por hectare”, revela.

Conforme o engenheiro agrônomo Paulo André Klarmann, associado da Unitec, em função das altas temperaturas durante seu desenvolvimento, as lavouras de soja não tiveram focos de ferrugem asiática neste ano. Ele também destaca que o clima foi muito favorável à colheita nesta safra – o contrário do que vinha ocorrendo em anos anteriores. “Percebe-se que, neste ano, as lavouras de Três de Maio e microrregião também estão adiantadas se compararmos com anos passados. A colheita iniciou lá por 10 de março e em um mês deve estar quase finalizada.”

Klarmann destaca que, nas lavouras que tem acompanhado, os produtores relataram colher de 60 a 65 sacas de soja por hectare, com algumas chegando a 70 sacas. “Isso ocorre nas lavouras bem conduzidas e manejadas. Atualmente, dispomos de biotecnologia, equipamentos de ponta e variedades cada vez melhores, e o produtor vem fazendo manejo e adubação adequados. Logo, temos estes resultados muito positivos agora na safra.”

O profissional afirma que, embora bem localizados, houve alguns problemas, na segunda quinzena de janeiro, em algumas lavouras de soja. “Tivemos mais de 15 dias de uma estiagem, localizada, que causou o abortamento de flores e vagens, o que pode influenciar no tamanho dos grãos”, acrescenta o agrônomo. “A aplicação de defensivos em horários inadequados, muito quentes, também prejudicam e causam fitotoxidade às plantas, que deixa os grãos com menor tamanho e peso, o que pode influenciar em menor rendimento.”

 

Nesta safra, foram cultivados 20 mil hectares de soja em Três de Maio.

 

Soja safrinha vem ganhando espaço

Um dado que chama a atenção é sobre a soja safrinha, que vem ocupando, ano após ano, uma área considerável no município. Klarmann explica que, com a colheita prevista para o mês de maio, um dos perigos para a soja safrinha é em relação à ferrugem asiática. “Hoje as lavouras tardias estão na fase de enchimento de grãos, e as noites frias que tivemos há alguns dias, abaixo de 15ºC, favorecem a proliferação da doença. Por isso, o produtor deve ficar atento.”

Rustick acrescenta que não há um número oficial para a soja safrinha no município, mas estima que são em torno de dois mil hectares cultivados. “Esta soja é cultivada depois que o milho é colhido. Fora do zoneamento agrícola, porque é cultivado fora do período indicado, pode ser de risco. Mas observamos que, ano após ano, está se aumentando este cultivo, até como alternativa para não deixar o solo desocupado. Dependendo das condições climáticas, as lavouras deste período tem produção razoável”, finaliza.

 

Texto e fotos: Assessoria de comunicação Unitec

Jaqueline Peripolli | Jornalista MTE 16.999