"A humanidade precisa da contribuição efetiva das mulheres em todos os âmbitos", afirma Arlete Salante

Docente do curso de Psicologia da Setrem vai ministrar curso sobre Direitos Humanos e Gênero

 

Até hoje, as mulheres têm sofrido com condições de rebaixamento social. Para mudar este cenário é necessário ampliar o conhecimento da condição psicológica das mulheres. É o que pensa a psicóloga e psicoterapeuta Arlete Salante, docente do curso de Psicologia da Setrem e que vai ministrar o curso de extensão em Direitos Humanos e Gênero: Aspectos Históricos e Atuais da Subjetividade das Mulheres.

Para Arlete, a humanidade precisa da contribuição efetiva das mulheres em todos os âmbitos. A seguir, ela comenta como os profissionais da saúde podem ajudar as mulheres na busca pela subjetividade e educação feminina.

 

Setrem: Por que considera importante abordar esse tema em um curso de extensão?

Arlete Salante: É necessário ampliar o conhecimento da condição psicológica das mulheres, o modo como se forma sua subjetividade, através de uma perspectiva sócio-histórica. Então compreender como a educação feminina e a cultura nos forma e nos define, é um reforço de identidade e saúde mental. Além disso, quando nos conscientizamos, naturalmente há uma responsabilização das profissionais para assumir olhares mais realistas sobre a condição das mulheres no século 21, de modo a promover a dignidade humana e social.

 

Setrem: Por que você escolheu estudar e trabalhar com a psicologia voltada às questões de gêneros no seu doutorado?

Arlete: Primeiro pelo encantamento, uma vez que, a psicologia feminina, por ordem da natureza faz uma constituição diversa, com força peculiar e graça. Mas, além das exigências do meio externo, são muitas as facetas que compõe cada mulher, que potencializam a ambiguidade tornando-as um tema controverso, um mistério para os homens e para as próprias mulheres. Em segundo lugar, pela necessidade de dar lugar ao poder e a autonomia feminina. Vivemos um momento de transformação, mas ainda nós mulheres, trazemos dentro estigmas inferiorizantes. Quando analisamos em uma perspectiva história, encontramos exemplos variados de visões/crenças/situações que contribuíram para a criação e manutenção de tais estigmas, como é o caso da metáfora bíblica que justifica a origem da mulher a partir da 'costela' de um homem. Ou ainda, do período em que a ciência nos considerava débeis e inferiores pelo tamanho dos músculos e também, incapaz de raciocínio. Depois, no chamado período das trevas, as mulheres foram acusadas de não ter alma, levadas a fogueira ou ao silêncio de seus anseios de existir, para não ter este fim. Estas são algumas das condições históricas de rebaixamento social que as mulheres sofreram.

 

Setrem: Na sua concepção, porque o conhecimento crítico acerca da subjetivação feminina é tão importante para a sociedade, e em especial para profissionais da saúde e da educação?

Arlete: Se ainda há tantos resquícios de comportamentos medievais que promovem uma dissociação da mulher no âmbito social e atribuindo responsabilidades familiares, faz-se necessário compreender melhor o papel de cada parte deste contexto amplo e desafiador. Como isso é perpetuado hoje, com tantas mulheres no mercado de trabalho.

O mundo mudou, mas o lugar subjetivo que é dado a cada mulher, parece ainda não ter mudado o quanto precisa dentro das sociedades, empresas, famílias, sindicatos, associações, etc. A educação feminina, por séculos se impõe com os mesmos modos e obrigações repassadas. Assim, repete-se o padrão sem compreender que antes de haver um sexo ou um gênero, existe um ser de inteligência, e inteligência não tem sexo nem gênero. Cada ser humano é um projeto que a vida coloca para acontecer, desenvolver habilidades e potencialidades que irão contribuir com o próprio meio. A humanidade precisa da contribuição efetiva das mulheres em todos os âmbitos.

 

O curso acontece nos dias 28 de abril e 19 de maio. Interessados podem se inscrever até o dia 23 de abril, no site setrem.com.br/cursos. Mais informações estão disponíveis pelo fone 3535-4653.


Assessoria de Comunicação SETREM