Os desafios para a economia em 2017

O ano de 2016, a exemplo do que vinha acontecendo no ano anterior, não foi dos mais calmos na esfera econômica, tampouco na política. Em um primeiro momento, a transição do governo atendeu as expectativas de uma considerável parcela da população, mas isso não foi suficiente para acalmar os ânimos políticos. No segundo semestre, o governo Temer ganhou os holofotes pela tentativa de realizar reformas grandes (como a previdenciária e a trabalhista). Além da impopularidade das medidas, a credibilidade do governo junto à população vem caindo cada vez mais em função dos escândalos de corrupção - especialmente em função dos desdobramentos da operação Lava-Jato. 

Sendo assim, o ano de 2017 ainda segue como uma grande incógnita - tendo em vista o tamanho dos desafios que estão pela frente. No terceiro trimestre de 2016, o PIB encolheu 0,8% em relação ao trimestre anterior e 2,9% ante o mesmo trimestre do ano passado, segundo dados do IBGE. 

Somente em folha de pagamento com o funcionalismo público, os gastos no Brasil cresceram 127,3% entre 2001 e 2014, saindo de R$ 171,6 bilhões para R$ 390,2 bilhões, de acordo com dados da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas. Rever essas despesas seria um passo para amenizar a situação dos cofres públicos. 

Medidas para melhorar o ambiente de negócios nas micro e pequenas empresas também podem melhorar o ambiente de negócios com mais agilidade do que as grandes reformas. A alta carga tributária do Brasil incentiva a sonegação fiscal. Somente neste ano, cerca de R$ 510 bilhões de reais foram sonegados em impostos, de acordo com estimativa do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz). O valor é suficiente para cobrir em seis vezes o rombo das contas públicas, que acumularam R$ 85,5 bilhões entre janeiro e setembro de 2016. 

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o país com a maior carga tributária da América Latina. Em 2015, a carga tributária correspondeu a 32,7% do PIB, de acordo com dados do Tesouro Nacional. A própria OCDE já aponta que o Brasil tem uma carga tributária que se equipara à das 34 economias mais desenvolvidas do mundo, no entanto, não vemos o retorno disso para a população. 

O governo tem ainda a missão de rever o nosso modelo tributário - que é baseado em consumo em vez da renda. Isso vai contra o que é recomendado pelo OCDE e aumenta o problema da desigualdade no País. Segundo dados da Fiesp, as famílias que recebem até dois salários mínimos tem cerca de 46% da renda consumida em impostos embutidos em despesas do cotidiano. O percentual cai para 18% para famílias com renda acima de 25 salários mínimos. 

Períodos de reforma tendem as ser duros, especialmente em um País com tanta desigualdade, enfrentando um período de muita turbulência política e insatisfação popular. Em 2017, o desafio será colocar em prática as mudanças que possam trazer resultados mais efetivos para a retomada do crescimento, aliviar o orçamento das famílias e fazer com que a economia volte a trazer confiança tanto para o consumidor quanto para os investidores internos e externos.
 
(Foto: Oswaldo Cornetti/Fotos Públicas)
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